domingo, 26 de dezembro de 2010

FIM DE MAIS UM ANO...




Mais um ano chega ao fim...

Se vc passou por aqui ano passado eu falava de uma lista, para destacar prioridades, cumprir metas etc etc... Acho q cumpri uns 70% da lista, ou seja, passei raspando... A vida é uma avalanche q não dá muito conta dessas listas - pelo menos pra mim.
Antes de ir adiante, sugiro q vá colocando o video acima para ir tocando pq tem a ver com o texto.

Em 1o lugar, coloquei essa música para destacar o DVD de Maria Gadú que saiu agora (Multishow ao Vivo). Espetacular!! Acho que Gadú é a grande revelação da MPB dos últimos tempos. Lembro q tomei conhecimento ouvindo no rádio do carro a versão de uma música meio tola de Kelly Key (Baba Baby), q quase me fez cair pra trás. Aliás, transformou a música em algo muito interessante - pena q essa não está no DVD, mas a gente pode ver no YouTube sempre que quiser (http://www.youtube.com/watch?v=jV6FyBED2Rk). Achei a produção muito legal e de muita coragem q ela levasse uma galera com quem está na estrada há um tempo e que ocupa meio que uns 40% do DVD. Uma "familia musical", pessoas desconhecidas nossas mas que estão quase em transe por terem tido a oportunidade de estar ali. Essa música que a Gadú está cantando acima é de Pink (outra rebelde que gosto bastante - o vídeo original é este: http://www.youtube.com/watch?v=Wi6qEnG7Qug&feature=related), mas a versão de Gadú está de tirar o fôlego!!!

Essa música q coloquei aí fala da imprevisibilidade do futuro, algo q eu acredito, com uma boa margem de segurança de algumas coisas q estão a nosso alcance. Está voltada a uma história de amor, mas acho q se estende a muitas coisas em nossas vidas - reflitam. Chegamos a uma sensação de Carpe Diem - aproveite logo o hoje, o agora, pq quem sabe o que virá depois???

Apesar dessa conversa toda, minha meta de 2011 está na busca de um equilíbrio interno que independa desse desequilíbrio que parece existir do lado de fora. 2010 foi um ano de grandes conquistas e de muitos testes. E eu perdi alguns, pq me deixei desequilibrar por ataques e agressões externas. Gostaria de dar risada de metade deles, mas não consegui... Cheguei a chorar algumas vezes, instead... Se eu tirar 7,00 de novo ano que vem, terá sido bom o bastante!!

Se cuidem e que 2011 seja pra vocês também um ano de muitas conquistas, boas dose de equilíbrio e algumas nem tanto (que podem trazer bons momentos de imprevisibilidade - um "Beautiful Mess" parafraseando outro queridinho meu, o Jason Mraz - mais um link que vale a pena: http://www.youtube.com/watch?v=K8Mz_kyRlWY&feature=related).

"Bonito o crepúsculo, não? Veja as cores, como são lindas e efêmeras...Não se repetirão jamais. E não há formas de segurá-las. Inútil tirar uma foto. A foto será sempre uma a memória de algo que deixou e ser... E essa triteza que a beleza dá? Talvez pq vc seja como o crepúsculo... É preciso viver o instante. Não é possível colocar a vida em uma caderneta de poupança... Você sabe que horas são? Está ficando frio... E as cores do outono? Parece que o inverno está chegando...
O que é que você está esperando? Como se a vida ainda nao tivesse começado... Como se vc tivesse à espera de algum evento que vai marcar o início real de sua vida: se formar, se casar, criar os filhos, se separar da mulher ou do marido, descobrir o verdadeiro amor, ficar rico, se aposentar... Como se os seus instantes presentes fossem provisórios, preparatórios... Mas eles são a única coisa que existe!!
E esta música q vc está dançando? É de sua autoria? Ou é um outro que toca, e você dança? Quem é esse outro? Lembre-se do que disse o poeta: "Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim". Mas, se vc é isso, o intervalo, vc já morreu... Acorde!!! Ressucite!!!" Rubem Alves - Livro: O Médico - Texto: A Morte como Conselheira


Feliz 2011!!!


Beijos for all,

Ade

domingo, 7 de novembro de 2010

TABOADA BISTRÔ


Já era tempo de eu voltar a escrever e aproveitei para fazer uma justa homenagem a um dos locais que mais tenho gostado de frequentar nos últimos tempos em Salvador - O Taboada Bistrô.
Um restaurante/ bistrô francês no Rio Vermelho na ruazinha da Villa Forma. O lugar é pequeno mas com um charme bem europeu mesmo, decoração no ponto, elegante e aconchegante. Cardápio justinho, com relativamente poucas opções, o que me faz entender a preocupação com qualidade e reprodutibilidade. Música ambiente sempre boa, meia luz, garçons atenciosos (as 2 últimas vezes que fui Samuel nos atandeu - excelente).
Todos os pratos q pedi até então foram espetaculares, sabor preciso. O último, esta semana, pedimos risoto de camarão, q veio ótimo. Já havia provado tb o Risoto Taboada e uma carne tipo picanha (esqueci o nome agora), todos irreparáveis. O dono e chef, Bertrand Fonteun, sempre passa nas mesas ao final, para perguntar o que achamos. Desta vez surpreendeu com um "como estava o RISOTO?"

Carta de vinho: faltam espanhóis, mas há uma variedade razoável, de preços agradáveis. Pedimos um francês da Côte du Rhône (vide dica abaixo).

Entradas: se preocupam a trocar no tempo certo, para q os pães fiquem quentinhos, mas ao meu gosto falta Fois Gras, q eu amo e hj em dia, consigo nas entradas do Chez Bernard e Alfredo di Roma.

Resumo da ópera: se vocês ainda não conhecem, vão conhecer. Nota: 9,0. Serviço muito bom, comida ótima, local charmoso.

Bjos for all,

Ade

Tip - Vinhos da Côtes du Rhône - São vinhos franceses, da tb chamada Vale do Rhône, região de grande plantio de uvas para vinhos. Produção anual de aprox 2 milhões de hectolitros. A qualidade na região varia bastante, desde vinhos leves aos encorpados; os preços tb variam bastante. A principal cepa tinta é a Grenache (40% do plantio total). As outras são Syrah, Mouvèdre, Cinsaut e Carignan. Cooperativas sào responsáveis por 70% da produção.


Taboada Bistrot

Especialidade: FRANCESES
Faixa de Preço: $$$ (R$ 50,00 a R$ 70,00 por pessoa, com vinho, dividindo prato)
Endereço: Rua José Taboada Vidal, 9
Bairro: Rio Vermelho
Telefone: 3334-7846
Lugares: 50
Horário: 18h/último cliente (sex. também almoço 12h/16h; dom. só almoço 12h/18h; fecha seg.)

domingo, 30 de maio de 2010

A Morte e a Morte de Quicas Berro D'água - Quantas vezes você já morreu hoje?

"Me enterro como entender

Na hora que resolver

Podem guardar seu caixão

Para melhor ocasião.


Não vou deixar me prender


Em cova rasa no chão."



Ontem fui ver "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'água" no Unibanco - Glauber Rocha. Gosto de chamar assim pq o charme de ressucitar o Glauber é algo incrível, mas a iniciativa do Unibando de fazer a reforma não pode ser ignorada, principalmente por transformar em cinema com afinidade a filmes de arte. E foi especial ter visto Quincas lá pq na saída já nos deparamos com várias paisagens do filme. Olhei para a estátua de Castro Alves com olhar especial - vão ver q irão entender.
Estava há 1 semana doida pra ver depois de ter lido o comentário de Contardo Calligaris na Folha da semana passada - está postado para vcs logo abaixo.
O filme é MARAVILHOSO. Exageros à parte, o filme nos faz pensar em como levamos a vida...
E eu me lembrei de de meu pai, q era meio Quincas e que morreu cedo justamente por isso. E de um colega Oncologista q disse recentemente em uma reunião científica que ficou sem saber o q fazer quando um paciente muito humilde lhe respondeu à sua proposta de iniciar uma quimioterapia: "Dotô, me disculpe, mas num quero não. O que me importa na vida é a largueza e não a cumprideza" - em alusão em ir pra casa curtir com os entes queridos os últimos dias de vida, ao invés de internar, fazer quimio para ganhar alguns dias ou semanas longe de todos. Hj em dia trabalho bastante com pacientes oncológicos por causa do exame de PET/CT. E a proximidade da finitude da vida me traz grandes reflexões cotidianas.
Deixo vcs com os comentários de Contardo sobre o filme. Acrescento ao comentário dos atores a excelente atuação dos 4 amigos beberrões de Quincas - todos atores baianos, com especial destaque a Luiz Miranda, de quem sou fã desde a Terça Insana - se quiserem conhecer um pouco mais procurem no Youtube.

Bjos for all,

Ade

CONTARDO CALLIGARIS

Carpe diem, aproveite o momento

Quem vive plenamente não terá medo de morrer. Mas o que é viver plenamente?


ESTREIA AMANHÃ , Brasil afora, "Quincas Berro d'Água", de Sérgio Machado, inspirado num dos romances mais bonitos (e mais lidos) de Jorge Amado, "A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água".
O filme é uma daquelas raríssimas obras que nos fazem rir e sorrir da vida, do mundo e de nós mesmos, enquanto, justamente, pensamos seriamente na vida, no mundo e em nós mesmos.
Esse milagre deve ser efeito do roteiro (do próprio Machado) e da atuação de um conjunto de atores que todos mereceriam ser mencionados, a começar por Paulo José, que é Quincas, vivo e morto (e não pense que encarnar um morto seja tarefa fácil).
Agora, nesse grupo extraordinário, quem rouba a cena é Mariana Ximenes, no papel de Vanda, a filha que Quincas abandonou quando deixou sua vida de funcionário "respeitável" e caiu na farra. Quase sem palavras, com delicadas e progressivas mudanças de seu olhar, Ximenes nos conta, de maneira inesquecível, o despertar nela dos genes paternos.
Enfim, meu jeito de agradecer à equipe que nos oferece esse filme foi anotar algumas reflexões que ele suscitou em mim.
1) Quase sempre, quando sonhamos em mudar de vida radicalmente, enxergamos esse ato como a conquista de uma alforria: seremos livres -dos pais ou, então, da mulher ou do marido que nos aprisionam. De fato, às vezes, os outros nos controlam e nos impedem de viver, mas não é frequente.
Em geral, nós os acusamos pela mesmice de nossa vida ("se nos livrássemos desses tiranos, poderíamos viver plenamente"), mas a tirania que nos oprime é a de nossa inércia e de nossa covardia.
2) Às vezes, num casal, as exigências triviais do parceiro são intoleráveis por parecerem absolutamente insignificantes: tire os pés da mesa, não espalhe o jornal pelo chão da sala nem a roupa pelo chão do quarto. Indignação: a morte nos espreita, e eis que alguém se preocupa com as migalhas que podem cair no sofá.
Como teria dito Sêneca, nós nascemos para coisas grandes demais para continuarmos escravos dessas picuinhas, não é?
Problema: uma vez chutado o pau da barraca, quem garante que a "grandeza" para a qual nascemos não se resuma em comer livremente amendoins na cama?
3) Quincas tem razão: só teme a morte quem não se permitiu viver, ou seja, quem viveu plenamente não tem medo de morrer.
Mas o que é uma vida plena? Será que é a vida de Quincas? A bebida e os amores? A fuga das responsabilidades domésticas?
Talvez o valor da farra de Quincas esteja, sobretudo, na liberdade de viver sem se importar com o julgamento dos outros, com a boa reputação. Para aproveitar a vida, antes de mais nada, não se preocupe com o olhar reprovador dos demais.
4) Reli a ode 1.11 de Horácio, onde está o famoso "carpe diem" (colha o dia). Horácio sugere que não apostemos nossas fichas no futuro, mas nos preocupemos com o agora, com o hoje.
Tudo bem, mas será que viver como se não houvesse amanhã significa necessariamente perder-se (ou encontrar-se) nos prazeres imediatos da carne? Não é nada óbvio. Um cristão poderia concordar com Horácio, entendendo o "carpe diem" assim: é preciso estar em paz com Deus hoje, agora, não amanhã.
5) Então, o que é viver plenamente: gozar, rezar, meditar, cultivar-se?
Talvez seja possível responder sem tomar partido.
Eis uma anedota da qual Quincas teria gostado. O rei da Itália, Vittorio Emanuele 2º, passeava a cavalo pelo campo de seu Piemonte nativo.
Chegou à fazendola de um camponês, que fez grande festa e o convidou à mesa.
Vittorio Emanuele elogiou o vinho do camponês, o qual comentou: "Isto não é nada. Sua Majestade deveria experimentar o de três anos atrás". O rei replicou: "E esse vinho de três anos atrás acabou?". "Não acabou, Majestade", respondeu o homem, "mas a gente guarda o que sobrou para as grandes ocasiões".
Pois é, quando Mefisto comprou a alma de Faust, ele impôs a seguinte condição: Faust viveria até o dia em que, diante da beleza do que ele estaria vivenciando, fosse levado a pedir que o átimo parasse. Quando isso acontecesse, ele morreria, seu tempo acabaria.
Há várias interpretações dessa passagem do "Faust", de Goethe (1, 699-706); uma delas é que Faust só poderia morrer uma vez que ele descobrisse o segredo da vida. E esse segredo é que, para viver plenamente, é preciso reconhecer que, com ou sem o rei sentado à mesa, com farra ou sem farra, na alegria ou na tristeza, cada momento presente é sempre uma grande ocasião.

domingo, 16 de maio de 2010

Correr pra quê?




FILA NIGHT RUN


a vida
um rally
sempre será
enquanto existir
o toma-lá-Dakar (Nildão)




Há aproximadamente 1 mês e meio resolvi entrar para um clube de corrida, por orientação médica frente às minhas queixas de fadiga fácil e cansaço frequente no dia-a-dia. Me irritava jogar tênis e quase morrer quando meu oponente jogava a bola por algumas vezes do lado oposto da quadra. Bem longe da elegância discreta de Federer...

Minha grande dificuldade na época - e ainda nos dias de hj - são os horários dos treinos - de madrugada. Eu q andava me queixando de cansaço, como ia sobreviver àquilo - acordar de madrugada, correr, voltar para casa rápido, tomar café, banho e ir para o trabalho, enfrentar uma longa jornada??? Mas resolvi encarar e meio timidamente fui alternando umas caminhadas com corridas leves; dias mais disposta, dias mais cansada, dias q não conseguia levantar (com alguma culpa...).

Uns 15 dias depois de entrar para o grupo o professor me avisou de uma corrida q haveria na cidade baixa, saindo do Mercado Modelo. Fui e achei aquilo o máximo. Foram 5 Km mas eu não tinha a menor chance de completar. Mas o clima, a alegria das pessoas, a música q tocava no ar eram contagiantes e resolvi: "Na próxima eu venho. Quero estar pronta". Uns dias depois, um colega de trabalho, amante da corrida, Dr Luiz Flávio Maia (Oncologista) me avisou q haveria uma corrida legal, q eu devia ir, para eu procurar na internet etc. Assim fiz, o site da corrida era muito legal (http://o2porminuto.uol.com.br/nightrun/), e decidi: vou correr essa. Tinha uns 20 dias para me preparar. E de lá pra cá isso se tornou uma das prioridades em minha vida. Pq algumas prioridades simplesmente se impõem.

O DIA CHEGOU. E isso mexeu comigo, passei o dia preocupada - será q ia conseguir completar a prova?? Era muito importante pra mim isso. Na 6a feira cansei com 25 min de esteira a 7 Km/h. Péssimo presságio... Semana difícil de trabalho, cheia. Dormindo pouco...

A HORA CHEGOU: Um engarrafamento monstro, fui com minha família, q estava super apreensiva com as coisas, mas me dando apoio... Cheguei debaixo de chuva forte (mas adoro correr na chuva), a 15 min do final da entrega dos chips de tênis, q marca o tempo de cada um. Me bati - calouro é fogo - mas consegui fazer tudo. Ufa!

LARGADA:
Largada startada e eu estava me sentindo muito bem. A insegurança havia passado e eu tinha 2 objetivos na noite: não andar nem um passo e terminar antes de 1 hora (o q seria óbvio se eu não andasse, né? - mais uma coisa de caloura). Fui que fui confiante, mantendo minhas passadas e sem sentir cansaço nem dor. A energia é, de fato, contagiante... À medida q via os Km passando, imaginei q ia conseguir. Quando cheguei aos 700 m finais, vi meus professores, q gritaram meu nome... 500m finais - os olhos encheram de lágrimas - eu ia conseguir!!! Acelerei o passo em euforia - queria chegar triunfante - busquei força onde nem sei se existia para meu sprint final. 50 m finais - vi minha família!! Meu sobrinho gritou: "Titia!!! Gente, ela chegou!!!" Eu bati na mão de todos e fui em busca da chegada, com uma sensação inenarrável. Levantei os braços e pensei: Consegui!! Consegui!! Olhei para o Polar e nao acreditei: 36 minutos. Um record total meu!! Fui pegar minha medalha e a coloquei com orgulho no peito. As crianças me trataram como heroína a noite toda. Me senti heroína mesmo...

Meus imensos agradecimentos a muitos q me ajudaram, acreditaram, toleraram esse novo estilo de vida, em especial LA e minha família. Depois, aos meus professores do Personal Run Club, Marcelo Affonso, Pedro, Adriano Reis. E a Carla Ferner pela sugestão da Corrida e ajustes em meu estilo de vida.

E respondendo à pergunta do post: Correr pra quê? Depende... Se vc souber escolher, pode ser para um novo desafio, novo estilo de vida, novos amigos, sentir-se vivo, correr na chuva, correr para ver um amor...

Bjos for all,

Ade

sexta-feira, 23 de abril de 2010

UMA PAUSA NA SINALEIRA

Vocês devem achar q estou doida de vez... O que tem a ver Pausa em Sinaleira com Sonho de Valsa??? Não, eu não devorei um ou vários bombons em algum dos engarrafamentos intermináveis atuais em Salvador.
É o seguinte - dia desses passava pelo cruzamento Av. ACM (depois do Lucaia) com Av Vasco da Gama, cansada, com os vidros fechados, além de fumê, como qq bom bahiano - por causa do calor (ar condicionado), violência e pedintina chata das ruas e sinaleiras. Parei na sinaleira e vi um vulto se aproximando - achei q era mais um pedinte quando fui surpreendida por uma mulher vestida com unifome de Sonho de Valsa, com uma cestinha na mão e me estendendo um bombom. Eu não sabia nem o que fazer... Estou acostumada a sacudir meu indicador sinalizando um não - não tenho ou não quero dar dinheiro, não quero mais um planfleto dos mil empreendimentos imobiliários de SSA, não quero saber qual a promoção da semana das lojas de eletro etc etc NÃÃÃÃÃOOOOOO.

Mas pro bombom eu queria dizer SIM.

Porque foi a 1a vez que alguém me ofereceu algo interessante em uma sinaleira. Pela 1a vez alguém queria me dar algo e não pedir. Abri a janela e peguei meu bombom. E a moça disse: "Dê a alguém que você ama." NOTA 10!!! Meu Deus!! Além do bombom, a frase!! Me disse sorrindo!! Num dia caótico, num trânsito caótico, num mundo caótico. E olhei pro lado e vi algo q não via há muito tempo - TODOS abrindo a janela de seus carros, querendo um bombom. Sem medo, abrindo janelas, tendo esperança. E outro detalhe: nenhum pedinte ao redor. Como alguém poderia competir com uma estratégia dessas??? Por outro lado, vou bem mais além: quanto custa um Sonho de Valsa? Talvez R$1,00. O preço de custo deve sair por volta de R$0,40 em larga escala. Que propaganda barata!!! Pq fazer um folder colorido, um outdoor, ter um horário na TV etc - pagaria milhões de bombons para distribuir, mas este com um impacto fenomenal!!

Eu adoro ser surpreendida com atos inteligentes, com mudanças visíveis de compartamento, mudanças na sociedade. Sonho com um dia talvez parar na sinaleira e receber um bombom, uma amostra de uma nova cerveja gelada (Vixi, supostamente proibido - mas quem se importa - estou aqui para sonhar), uma nova revista que estreiou nas bancas, amostra de um novo shampoo... Chega - já passou do ponto e poluiu.

É isso. E pra terminar: é CLARO q obedeci a moça e dei o bombom a quem eu amo. Que parada!!

Bjos for all,

Ade

domingo, 31 de janeiro de 2010

DICAS DE SAIDINHAS EM SALVADOR


Eis que estou cheia de novidades de um final de semana ainda pelo meio... Lugares q fui e gostaria de indicar.
O 1o foi a MME CHAMPANHARIA (OU CHAMPANHERIA). MME é abreviação de Madame em francês. Fica no Rio Vermelho, casa amarelona ainda sem placa, um pouco antes do Twist ou Póstudo, mas do outro lado da rua. Eu descobri andando pela rua outro dia (coisa q faço raramente). Fui ver uns amigos no Boteco do França e estava na academia com carro já estacionado. Decidindo ir à pé, me chamou atenção na casa a cor, claro, e luminárias belíssimas, parecidas com algumas q tinha adquiri recentemente aqui pra casa (eu amo decoração). Espichei o olho e estava tímida de perguntar o que era... Pensei: "Q bestagem, pergunta!!" Já tinha passado e voltei. Perguntei ao segurança e ele me respondeu: "É uma Champanheria." Eu nao acreditei naquela resposta e disse: "Como assim? Só vende Champanhe, tipo assim, de vários tipos? (Na escada da entrada tinham umas intimidantes garrafas de Veuve Clicquot)". E ele me disse q sim e me disse tb q tinham comidinhas para acompanhar. Sabia q tinha de voltar ali outro dia. Fomos na 6a feira. O lugar é muito bem decorado e tem um cardápio vasto de Champagnes, de várias nacionalidades e preços. As garrafas variam de R$20,00 (isso mesmo) até sei lá, uns R$1.000,00. E vc pode pedir taças de marcas variadas para provar, por preços bem interessantes. Tem ainda um Menu degustação de champanhes nacionais, de R$30 e R$40, com amostras de uns 5 ou 6 tipos. A comida estava ótima. Não serve jantar mas comemos um filé com shimeji e o 2o não lembro pq as bolhas já tinham subido à cabeça, mas estava ótimo. Rsrsrsrs. O pior é q é sério... saí cambaleante... Recomendo q passem por lá qq dia desses, a dois ou em grupo. É uma delícia tomar uma taça de champagne num calor desses. E vc se sente a Madame herself.

A 2a dica é o Ciranda Café. Este fica na Rua Fonte do Boi, Rio Vermelho, perto do IBIS/ Mercure. Um Café cultural, q serve pratos deliciosos, cafés, tem exposição de arte, uma lojinha de produtos naturais/ artesanais, uma pequena adega e ainda tem um auditório com apresentação de shows e peças de teatro. Fomos por causa da peça Fernando Pessoa, encenado pelo excelente ator Marcos Machado, q deu um show. Junto a ele um que tocava violão clássico maravilhosamente. Comemos um peixe, com arroz integral e molho de cajá (super extravagante, hein?) e tomamos um vinho orgânico (o 1o q provei), Chileno, Merlot. Muito bom. Os pratos são um pouco caros, R$40 a R$50 em média cada, mas dá para dividir. A foto q coloquei acima está pintada na parede de fora, muito interessante, é de Igor Souza (http://www.fotolog.com.br/igorsouza), que descobri q está expondo em SSA até final de fevereiro/10. Achei o trabalho muito interessante. Vou visitar.

Well, that's it!! Quem sabe vcs passem o 2 de fevereiro tomando champagne ou tomando um Café? Eu vou tentar dar uma fugida do trabalho mais cedo e fazer tudo isso de novo!!

Bjos for all,

Ade

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010


Eis um novo post... um post de ano novo. E achei vagabundeando pela internet. Coisa que não fazia há um tempo. Justamente por falta dele. Hoje foi meu 1o dia de folga real no ano e chutei o balde nos pseudo-compromissos e estou curtindo minha folga de pernas pro ar, lendo variedades, criando pensamentos sortidos. E descobri um Blog "vizinho" maravilhoso, que desconfio que vcs vão me abandonar em breve para recorrer a ele, no intuito de ler algo legal. Vou correr o risco mesmo... Chama-se Crônica do Dia ( http://crondia.blogspot.com). São "Crônicas diárias dos novos cronistas do Brasil". Já virei seguidora. E a "fonte" que me conduziu ao Blog recomendava o Eduardo Loureiro Jr. Me identifiquei quando a "fonte" dizia q lia o Eduardo e Rubem Alves e que ambos a faziam sorrir e chorar em instantes. Claro q tinha de buscar esse tal de Eduardo, né? O cara é Cearense e tem crônicas muito legais de fato. Escolhi uma das que li para postar aqui para vcs. Pq claro q me identifiquei. E me fez super bem no dia de hj. Em q resolvi vagabundear. Fazer um dia MEIA-BOCA. Sem nenhum grande compromisso, plano ou pensamento. Estou adorando meu dia meia-boca. Espero q vcs tb adorem a leitura half-mouth abaixo do inteiro e já listado para minhas futuras leituras!! Welcome, Eduardo!


Bjos for all,
Ade


MEIA-BOCA >> Eduardo Loureiro Jr.



"Pelejar pelo exato dá erro contra a gente."

(João Guimarães Rosa)

Tem gente que só quer do bom e do melhor. Para mim, o bom já está bom; só quero do melhor se não der muito trabalho.

Querer ser o melhor — e ter o melhor — normalmente necessita de um esforço que não vale a pena que o próprio esforço criou. A dor é um bom limite. Se está doendo, então já está perto da hora de parar: a partir daquele ponto, um aumento do esforço não vai melhorar muito o resultado.

Sabe aquelas coisas de "vou atravessar a cidade para comer AQUELE bolinho de bacalhau, o melhor do mundo"? Ué, mas se tem um bolinho de bacalhau bom já ali na esquina, por que pegar carro, ônibus, táxi? Sai mais em conta caminhar até o bolinho mais próximo. Em matéria de culinária, não tenho muitas papas na língua. Sou incapaz, por exemplo, de identificar coentro numa comida: e tem gente que detesta coentro, quer lamber o tridente do diabo mas não trisca a língua em coentro. É a turma que quer o melhor, que quer o perfeito, para quem tudo deve ser daquele jeitinho ideal.

Ideal é um bom nome para padarias — Padaria Ideal, o seu paõzinho perfeito — mas, no dia-a-dia, eu prefiro o real. E o real quase nunca é perfeito, está mesmo longe de ser o melhor. Tem gente que compra o mais barato, tem gente que só paga pelo melhor. Eu escolho o mais-ou-menos, o meia-boca, o morno que muita gente vomita.

Praticamente nada do que faço recebeu ou receberá o adjetivo superlativo de bom: o melhor está fora de minhas pretensões. Meus textos — esta crônica, por exemplo —, minhas músicas, minhas aulas, minhas análises de mapa astral, qualquer tarefa que eu desempenhe — de desentupir uma pia a fazer turismo numa nova cidade — traz sempre a marca do "se já 'tá bom, 'tá bom".

Entre a dona Qualidade e a dona Quantidade, fico com as duas — mas não sacrifico a segunda pela primeira. O tempo e a paciência perdidos na tentativa de fazer do bom o melhor poderiam ser empregados em outras coisas. Em vez de gastar o juízo para compor a canção perfeita, faço logo umas dez seguidas e, com sorte, algumas delas ficam bonitas. Não sou um daqueles para quem a busca da perfeição leva à perfeição. O que me aproxima da perfeição é a prática constante e fiel do erro.

E se há mesmo que se fazer o esforço, é bom que se produza muito. Eu que não vou botar óleo numa panela — e depois ter o gordurento trabalho de lavá-la — só pra comer uma cuiazinha de pipoca. Se é pra fazer pipoca, que a espagueteira fique cheia delas. Espagueteira, sim. Só usa pipoqueira quem quer a melhor pipoca, o que, vocês sabem, não é o meu caso.

A única coisa que fica perfeita com o esforço concentrado é o estresse. O que tem de gente perfeitamente estressada é uma beleza. E como é que se saboreia o perfeito bolinho de bacalhau ou a perfeita pipoca quando se está perfeitamente tenso? E como é que se admira a perfeita canção ou o perfeito texto quando se está perfeitamente exausto? Não sei a resposta, nunca fiquei perfeitamente estressado, não faz parte da minha realidade. Para mim, de estresse já basta o ruim, não quero saber do pior.

Essa história de olho clínico, de ouvido absoluto e de paladar sensível no mais das vezes só atrapalha. Não é coisa de mestre nem de gênio. Não é chique, é chato. Porque tem hora que as pessoas que querem o melhor começam a querer o seu — o meu — melhor. E aí é um tal de "faz isso assim", "você devia fazer assado", "o potencial você já tem, basta se dedicar um pouco mais"...

Já foi-se o tempo em que eu era cu-de-ferro, o primeiro da classe. Hoje em dia, gazeio aula para jogar porrinha no pátio e fico contente se passar por média. Que os outros pelejem pelo exato. Eu prefiro passear pelo descabido.